A ideia e a iniciativa do Núcleo surgiu durante a vivência prática da psicóloga Livia Correia enquanto ainda era estagiária dentro do Sistema Prisional do Rio de Janeiro. Formada pela Universidade Federal do Rio (UFRJ), ganhou experiência no assunto depois de mergulhar na área jurídica e descobrir que esta era sua verdadeira paixão. Atualmente, é aluna do curso de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). Após planejar e organizar as ideias, resolveu colocar em prática aquilo que sempre desejou realizar. Dessa forma, nasceu o NAPESP. A partir de um ideia simples, que busca legitimar e afirmar o lugar da Psicologia, mas também construir um novo olhar sobre a viabilidade de políticas de atenção a população egressa do sistema prisional. 

Que ideia é essa?

A vida harmônica em comunidade é uma pretensão que, apesar de muito desejada, encontra profundos obstáculos dentro da sociedade. A busca pela anulação completa do contraditório afirma ainda mais nosso desequilíbrio social. Somado a isso, o desapreço do sistema carcerário e a fragilidade de políticas concretas de reintegração resultam em um cenário de completo desamparo e fragilidade.

De frente a realidade da execução penal brasileira, há pouquíssimas políticas públicas interessadas em realizar melhorias no atendimento aos egressos do sistema prisional. Desde antes, enquanto presos, as situações dentro dos presídios são completamente caóticas, favorecendo a exclusão, deterioração e degeneração da condição de pessoa humana. Pensando nisso, a criação do NAPESP tem como objetivo se juntar a outras alternativas capazes de traçar estratégias de enfrentamento para a construção de políticas de reintegração social justas e benéficas para todos.

Para o indivíduo que foi condenado pela justiça, desamparado pela sua condição estigmatizada de presidiário, a clínica deve constituir, verdadeiramente, um caminho para a resolução dos problemas e à alteridade, podendo, assim, fazer o sujeito se reconciliar com sua condição de ser e estar no mundo. O sujeito terapêutico, é potencialmente capaz de transformar sua forma de ser no mundo e ser ele mesmo.